Ela acorda cedo, entra no banho, me acorda com carinho e anuncia que na cozinha o café da manhã está nos esperando. Contamos nossos sonhos da noite, falamos da agenda que temos que seguir no dia e escolhemos o lugar do almoço ou do jantar. Ela pega suas coisas, deixa uma das chaves de casa comigo para que eu possa me arrumar com calma e, após me dar um beijo, vai para o trabalho. Tomo um banho, me arrumo e vou para a faculdade. Quase todos os dias são assim: leves. Reservamos as 1h30 que temos de horário de almoço para nos encontrarmos; compartilhamos risadas, segredos e até problemas que tivemos no “trampo”. Quando não dá para encontrar, tudo bem também, teremos minutos suficientes que virão depois. 

Ela conseguiu me entender como poucas, talvez porque temos vivido coisas semelhantes: não queremos pensar no “uma vida inteira”, não queremos morrer sufocadas em palavras de amor e sentimentos falhos. Queremos viver dia após dia, queremos a calma, o poder do devagarinho. Não existe cobrança, apenas existe vontade de estar ali. Nos damos espaços, entendemos que cada uma tem uma vida: ela tem a dela, eu a minha e nós duas outra. Sabemos separar isso sem desrespeitar.

Nossas intensidades às vezes se chocam, ela é muito tudo o tempo todo e eu sou um poço de tranquilidade à espera de impulsos para a elevação dos pontos do meu eu intenso. Por diversas vezes trocamos esses papéis. Fico afobada e ela tenta amenizar tudo com a calma que no fundo está ali. Paro para pensar e fico me perguntando como duas pessoas podem ser tão parecidas e diferentes ao mesmo tempo. Nossos caminhos têm se encaixado. Devagarinho.

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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Thais Oliveira

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