A verdade é que não existe saudade nos braços de outro alguém. Você não podia ter ido assim deixando tanto de você por aqui. Mas eu precisava seguir em frente, entende, eu não podia te esperar pra sempre. Eu te enxergava em cada rosto por cada esquina que cruzava, te sentia em cada abraço que costumava receber em dias carentes.

Por que não ficou? Eu fui tão péssima assim contigo? Eu me dei e me doei tanto. Injustiça tua ter deixado mútuas lembranças em cada canto que costumávamos passar. Hoje, meu “eu”, sem teu “você”, desconstruiu o “nós” que tanto precisava. Se não tinha intenção de ficar, nem batia na porta do meu coração revirando minha alma desse jeito. Garoto, você não sabe o quanto dói um Eu te amo jogado no mar a naufrágio.

Hoje, me livrei do teu travesseiro que ainda exalava seu cheiro por todo quarto, escondi nossa foto no porta-retrato que insistia em me encarar todos os dias de manhã. Arrumei a casa, a alma, e o coração. Meu erro, foi testar a profundidade do rio com os dois pés enquanto você nem os seus molhava. Foi me doar por inteiro, enquanto você queria metade. Eu quis amor, você, paixão. Eu quis fazer teu coração de morada, você, só quis alugar uns momentos do meu. Eu quis o infinito, você o efêmero.

Eu troquei uns móveis de lugar, e algumas certezas também. Pois o coração se faz de bobo, mas vez em quando, sabe a hora de renovar seus moradores.

Pedro

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  1. Adorei! parabéns! =)

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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Pedro Ficarelli

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