Caminhávamos no escuro, pelas ruas desertas de Botafogo. Silêncio profundo.

Já não estávamos mais juntos, mas eu fiz questão de acompanhá-la até em casa; o trajeto era perigoso e o horário não ajudava.

Naquele dia, trocamos boas ideias e risadas no bar. Depois de muito tempo, voltamos a nos encontrar e, como duas almas que se entendem, não demorou muito para nos sentirmos, novamente, como o casal que fomos outrora. Conjectura minha, eu sei, mas, se me permitem, quero sonhar.

A prosa foi tão boa e prazeirosa que o assunto (e o efeito do álcool) acabou. Olhávamos para o chão, braços cruzados para fugirmos do frio e passos relativamente rápidos para o desconforto passar logo.

Perto do seu prédio, ela desabou. Me abraçou, chorou, pediu desculpas por ter me abandonado. Contou dos problemas que vinha passando, da família, do coração gigante, tão grande, que não podia deixá-lo só para mim.

Dei conselhos, fiz cafuné e a gente ficou abraçado, sentado no meio fio, como era antigamente. Dei um beijo em sua bochecha e desejei boa noite. Na volta, trocamos
mensagens pelo celular até adormecermos.

No dia seguinte, para meu infortúnio, com a clareza do Sol do amanhã, ela voltou a si. Tratou-me como um bom amigo e, com o tempo, nos afastamos. Frustração.

Mas, aquele momento, aquelas lágrimas, aquele abraço… Nem que tenha sido por alguns minutos: ela me amou de novo. E eu fui, como há muito não era, feliz.

cassar

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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