A frase célebre de Ned Stark no jogo dos tronos ganha validade no Sul. A estação de corações mais frios e bebidas mais quentes se aproxima e em meio à tantos andares concentrados em suas rotinas e olhares cerrados a espiar somente o que lhes é permitido através da cortina, eu escolhi esperar.

Não, não escolhi a castidade ou troquei de religião. Apenas tenho parado e me concedido o quase luxo de observar.

Levanta; se arruma; pega o ônibus; trabalha; almoça; trabalha; pega o ônibus; estuda; de volta ao ônibus; janta; dorme.

Em algum pedaço desse programa o meu sistema reiniciou e nos minutos em que travei pude contemplar toda a falta de sentido nas coisas e pessoas que cercavam meus dias. Foram poucos os minutos até que eu retornasse à programação, mas suficientes para soltar algum parafuso e me fazer lembrar disso noutra madrugada.

Madrugadas são sujas.

Te fazem pensar em coisas dolorosas com tanta vontade quanto alguém ansioso fuça na casquinha da ferida e força, mesmo sabendo que vai sangrar.

Em um daqueles clichês de filme, me vi boêmio. Embriagado, mas sem sentir o minuano que soprava, cansado, mas com a mente trabalhando como a tempos não fazia. Refiz minha vida, minha trajetória, percorri a minha história e para cada ex amor, um novo gole.

Não buscava por voltas ou por lembranças, buscava por encontro. Gostaria de entender em qual página desse livro que o moço se perdeu, tinha a esperança de encontra-lo e a certeza de que não morreu. Moço que fora sonhador, que idealizava, viajava e ia atrás sempre que via amor. Eu sentia saudade e a bem da verdade é que o queria de volta.

Foram noites e garrafas até entender que ele não tinha se perdido, sequer tinha saído de junto de mim. Eu estava ali todo o tempo e o tempo todo, apenas não tinha tido tempo para olhar para mim mesmo como um todo.

Os dias eram tão repetitivos que aconteciam sozinhos.

Eram tão chatos que eu cansava sozinho.

Eram tão maçantes que ao fim eu já bebia sozinho.

Um whisky, um cansaço e amores que decidiam não voltar por não ver naquele ser o moço que escolheram amar. Rotina, repetição, amores que iam e vinham em vão.

Parei, observei, busquei, encontrei e desde então tenho dado valor a quem sou, colocando meu coração acima de qualquer situação para evitar me perder. Deixa o frio bater, deixa o álcool aquecer se precisar, só não vale deixar o seu eu desistir de você.

alan

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Alan Barboza