Alguma coisa estranha tem tomado conta de mim por vezes. É uma sensação estranha. Sensação de estar de mãos atadas perante situações em que tudo que eu deveria fazer era não me encontrar dessa forma. Mas são coisas do coração, coisas que não podemos fazer muita coisa, na verdade, não é que não podemos, é que não temos como agir. O lance é realmente deixar fluir.

Nada que faz parte do tal “músculo involuntário” é certo. Tudo extremamente inconstante. Viver nessa inconstância é o difícil. Durante o dia, vem a sensação de ter se libertado daquilo que até então te sufocara; pela noite, o aperto da saudade, o cheiro que invade o quarto, a música que toca, tudo aquilo que te remete à pessoa. É um querer sem poder, é a certeza da dependência que criamos do tal senhor tempo. Ele comanda, ele faz, ele age. A gente, não.

A vida não para. Seguimos com tudo: festas, bares, bebedeiras, corpos desconhecidos que por uma noite nos dão permissão de nos conhecer ao máximo – mas, lembre-se, isso só é possível quando se trata somente de corpo, nada de achar que uma noite te permitirá conhecer uma pessoa -, talvez isso não fique apenas numa boa dormida, e talvez exatamente essa nos fará ficar por uma semana, quinze dias, dois meses e meio ou três. Tudo isso acontece, a vida de fora parece movimentada de amores, sexos, vontade de ficar e esquecimento. Não é isso que a mente tem desejado, tampouco o coração, mas é isso que por míseros minutos, horas, dias, quiçá meses me faz perceber que tudo ainda está aqui. A mente ainda monta estratégias, o coração ainda pulsa. E o vazio preenche.

Thais

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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