Nunca imaginei que um dia eu poderia ser tão dependente de uma vontade como hoje eu sei sobre as dores que carrego no meu peito. O que já vivemos não se encontra escrito em nenhum desses clichês já citado naqueles poemas que sempre leio antes de dormir. Sempre ouço pessoas falando sobre coisas inacabadas, sentimentos mal resolvidos, mas que então seguiram em frente e a vida aos poucos foi voltando ao normal. O que é normal depois de provar a falta de rotina do nosso dia-a-dia? Como se contentar com a calmaria, se foi em meio aos turbilhões mais tórridos que sempre encontrei a segurança do seu amor? Li em uma revista, dessas que ficam em cima da escrivaninha da sala de espera do dentista, que o tempo costuma por tudo no lugar. Mas se essa teoria fosse de fato verdadeira eu não estaria aqui nesse momento com o estômago embrulhado, me sentindo como um quebra-cabeças ainda desmontado. – Por favor a conta. – Peço gentilmente para o garçom que insiste em mais uma dose me servir. Ao chegar em casa e por fim quando eu já me encontrava no silencio do meu quarto escuro consegui ouvir meus próprios pensamentos, pensamentos esses que gritavam e começavam a implodir pedindo por socorro. Foi quando eu me dei conta que realmente tinha acabado. A nossa despedida foi marcada por um beijo já sem emoção, um se cuida com vontade de deixa eu te cuidar, mas mesmo assim eu te deixo ir. Não eu não olhei para trás nem por um só segundo, e ao pisar dentro de casa eu tive a sensação que era sim a nossa última vez. E ao deitar na cama e relembrar que contigo mais uma vez eu tinha perdido a noção de hora e de espaço e que o cheiro do seu corpo ainda estava na minha pele eu apenas me estraçalhei novamente em lágrimas, e quebrei a promessa de ser uma garota forte. Por mais voltas que minha cabeça dava não conseguia entender o que de fato aconteceu, se é que algo realmente aconteceu, mas tudo estava diferente, não foi o mesmo toque, nem a mesma conversa, e era uma necessidade de ver logo tudo por terminado, veio o boa noite e cada um para o seu lado. Não foi só coisa de pele, por mais que você tentasse me convencer do contrário, era como se dois estranhos tentassem buscar a sacies de seus corpos no mesmo momento. E ao sentir meu peito doer, garganta trancar e olhos arder, ao segurar nossa foto na mão foi quando me toquei que por mais surreal que foi, realmente existiu. Por fração de segundos, dias, semanas, meses, anos, mas existiu. Não foi alucinação. Pensei que poderíamos estar apenas fazendo drama para quando déssemos continuidade ao próximo capitulo houvesse uma dose extra de emoção. Mas quando juntos decidimos que era hora de seguir em frente com a nossas vidas, constatei que já passávamos do final. Eu ainda não descobri se sinto raiva, medo, saudade, amor ou um turbilhão de todas as emoções juntas, parecendo a batida de um milk-shake de morango estilo aquele que você mais gostava. Mas algo dentro de mim sabe que foi real, as circunstancias mudaram nossas decisões, cada um para um lado foi a minha deixa. Se vamos nos reencontrar? Já não tenho certeza, mas eu sei que fizemos aquele momento existir, o trabalho nos consome, e a vida insiste em seguir, vidas opostas, sentimento único, por hora só me resta o teu adeus, mas para sempre terei o seu amor em mim, e você terá o meu.

PS: Aonde quer que você esteja sua marca continuará para sempre em mim. Ainda amo você.

re

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Participe da conversa! 2 comentários

  1. É exatamente assim que me sinto hoje, só sei que realmente existiu.

    Curtido por 1 pessoa

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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