Hoje é seu dia da semana preferido, não é? O despertador tocou, os minutos iam passando e o ponteiro ia se aproximando das sete, levantei rapidinho me lembrando de que aquele era aproximadamente o horário que você saía de casa para ir ao trabalho. Preparei meu café e o cheiro me trouxe você com seu melhor sorriso à memória. Rodopiei pelo corredor enquanto passava os olhos em nossas fotos que estavam ali, algumas penduradinhas e outras no móvel do quarto que era possível ver de onde eu me encontrava. Tocava a playlist que carrega seu nome, tocava de Cássia à Glen Hansard e Marketa Irglov. Entrei debaixo do chuveiro e deixei cair aquela água gelada incessantemente em minha cabeça, o cérebro é acelerado e pensa em tudo um milhão e meio de vezes, não consegue sossegar o suficiente, me vem vontades e vontades, vontade de ligar e perguntar se podemos ficar ali ao menos meia horinha, vontade de fazer uma visita surpresa. Vontade, somente. Saio do banho, passo meu melhor perfume – aquele que às vezes se mistura com o seu cheiro (que está em meu nariz a todo momento – dizem que é resultado de quando a falta vem) – visto a blusa que você me deu, pego meu violão e toco até a hora de dar aquela chegadinha no boteco. Ali, eu peço aquela verdinha. Sim, a de sempre. Uma, duas, três. Abro mil vezes sua janela no WhatsApp, penso em chamar, e, mais uma vez, tenho de pisar o freio. Não posso. Saio catando os guardanapos e ali vou escrevendo enquanto na mesa reparam o que eu faço. A leveza, então, se faz presente quando penso no que me disseram certo dia: “Às vezes é muito melhor a gente tentar reaproximar a pessoa com o que vem de fora (momentos) do que com o que vem de dentro (sentimentos), porque o que vem de dentro pode machucar mesmo quando não queremos, o de fora só machuca quando permitimos”. A reaproximação pode muitas vezes não se dar de forma presencial, mas se for simbólica já está valendo. Hoje estou escrevendo sobre momentos e o que sinto está guardado, é aquilo que sempre será. Sempre. É preciso encontrar aquilo que nos deixará leve mesmo quando a vontade de encontrar bater à porta. A gente vai se encontrar de novo, eu sei. Deixa com o tempo, ele vai arrumar a bagunça. Enquanto não arruma, eu fico aqui com o horário, o café, seu cheiro, nossa verdinha, as fotos, as lembranças, sua blusa. Coisas da saudade que eu sinto.

Thais

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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