Tem ali no canto aquele que levou um belo par de chifres. Do outro lado, o corno assumido tentando disfarçar o casamento falido. Entrando ali, vem cheio de frases prontas o garanhão que não pega ninguém, mas insiste em se intitular o príncipe das mocinhas. Pensa que acabou? Que nada, olha ali sentado na beira do balcão aquele coração cheio de sombra, amargurado com coisas do passado.

Tem ainda aquele de lá, em uma rodinha de amigos, virando todas que tem direito porque acredita que se tem algo bom nessa vida, se chama bebida. Algo bom? Bom pra esquecer as sombras, as dores, os medos e tudo quanto puder. Tá, mas não é só isso né?! Claro que não! Elas também estão lá, de salto e vestido colado, cabelo preso ou solto, de lábios contornados. Porque é que elas estão lá? Algumas brincando, umas chorando e outras querendo sorrir.

Dizem que o medo aguça a atração. E na busca de quem procura outra cobertor além da amarga solidão, se atrair um pouquinho pela vida não faz mal. Mas afinal, quem são eles? Ah, eles são os jornalistas de plantão do pronto-socorro da vida, onde o único medicamento se resume em álcool, prosa e verso. Ilusão? Utopia? Sei lá, eu sei que eles sabem quando estão ausentes neles mesmos. Eles sabem que precisam se curtir bem mais, porém só conseguem olhar para os lados. Eles entendem, quando a alma pede por banho de sais, mas o corpo só que viver apaixonado.

Como eles sabem disso tudo? É que na redação chamada boteco, a pauta principal é sempre a vida. Vez ou outra as manchetes mudam, mas constantemente o cobertor de solidão e as ramificações da lei do desapego são destaque por lá. Não tenta compreender como é que estão escrevendo coisas da vida com tanta propriedade. Eu sei que você deve estar imaginando – Não é possível que vivem aquilo tudo! –  mas vai por mim: com uma gelada na mão e uma companhia do lado se vive tudo e muito mais. Não são meros ouvidos de jornalistas atrás de mais uma pauta; são ouvidos que atrevem a viajar em um conto aqui e outro ali.

Tá, e que contos são esses? Então vou dizer. São os retratos dos seus relacionamentos falidos ou bem sucedidos, são os espelhos das suas vontades encubadas e a pintura do que você anda pensando, contando e aprontando por ai. E eles tem uma missão? Sim, te mostrar que com relacionamento falido ou não, memórias fotográficas serão sempre valiosas. Eles estão lá por exemplo, para te mostrar que antes de qualquer coisa, teu status civil deve ser livre. E que independente do sentido da vida, ou a falta dele, entre um gole e outro de poesia, verso e prosa, tem vida pra todos nós!

Mas e ai, o que vai ser hoje? O de sempre?

thamires

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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