Algumas coisas parecem estar fadadas ao fim, algumas mais rapidamente que outras. Por vezes a gente demora pra perceber que existem limites, outras a gente já sabe e mesmo assim insiste. Acho que pior que lidar com as ânsias futuras é saber reconhecer o momento em que elas acabam se tornando reais. Em grande parte a aceitação se torna a pior dor.

É simples, o que te corrói por dentro te mata aos poucos. Ninguém vive por inteiro sabendo que o futuro é incompleto. Seria muito mais fácil impedir a tempestade do que limpar toda bagunça feita por ela, o problema é que é tão bom enquanto dura que a gente não se importa, a gente tem mania de arriscar, de insistir mesmo sabendo que quando se trata de desafios temos chances de perder.

A gente cria e alimenta nossos próprios monstros ao invés de entender que nem tudo precisa ser motivo pra sofrer. Tem vezes que a gente não pode fazer sozinho o que não foi feito por dois. Não adianta tentar fugir do inadiável ou achar que tudo pode ser concertado quando na verdade não existe muito mais do que lembranças boas. É isso que resta, lembranças, e a gente escolhe se prefere manter elas intactas ou insistir naquilo que claramente é limitado. Nem sempre é questão de solução, às vezes é só aceitação. Cada um escolhe se quer tornar as coisas mais ou menos complexas.

A gente perde muito tempo esperando mudanças que nunca virão por si só. Perdemos muito tempo esperando as decisões serem tomadas por outros. São tantos discursos planejados, tantos pensamentos que morrem em silêncio, tantas palavras que nunca chegam aonde deveriam chegar… Tudo esperando um motivo, esperando o tempo certo. Talvez não exista tempo certo pra dizer o que precisa ser dito, o medo é inevitável e nós decidimos como lidar com as consequências das nossas antigas escolhas.

Martina

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. As vezes não podemos simplesmente dizer o que deveríamos. As vezes temos que reprimir nosso sentimento e engoli-lo a seco com amargor na boca, custando à passar pela garganta e machucando o peito, simplesmente por haver duas possíveis consequências: construir um novo mundo ou destruí-lo totalmente.

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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