Pelo direito de se sentir feliz sozinho

Só quem já viveu a liberdade de poder levar a vida sem precisar encarar a coisa toda como uma busca vai saber do que eu vou falar nas linhas a seguir. A gente sempre busca alguma coisa o tempo todo na vida. Principalmente quando a gente se vê sozinho, à deriva, sem ninguém pra dividir o brownie com sorvete no fim de semana. Como se viver sozinho fosse uma espécie de padrão inaceitável em uma sociedade em que qualquer coisa diferente do que uma vida compartilhada a dois é errado. Como se histórias de amores dignas de roteiros com bilheterias milionárias fossem fundamentais para nos fazer felizes. Mas por quê?

Por um tempo eu também pensei assim. Os amores que eu desenhava e redesenhava na minha mente, com histórias baseadas em pessoas que eu vi uma ou outra vez na vida, eram o centro total da minha atenção. Nossos amores sempre merecerão nossas prioridades, sempre serão nosso ponto linear em uma linha cheia de ramificações, por mais que eles vivam somente dentro da nossa cabeça – não é porque os desenhamos dentro da gente que não são reais. Mas a gente também é importante no processo todo. A gente também precisa se encaixar em um futuro ideal, não só uns rostos aleatórios com histórias alheias que a gente encontra na rua. A gente precisa enxergar a si mesmo dentro da gente pra poder enxergar um universo inteiro lá fora.

Estou em uma fase da minha vida em que meus amores são desenhados e redesenhados todos os dias, e nem sempre envolvem rostos alheios com os quais eu esbarro no vagão do metrô. Desenho amores em uma balada de fim de semana, sem laços inteiros trocados porque ambos estamos ali pra isso: pra viver algo bacana que faça bem pra gente mesmo; pra dividir um momento que não precisa durar pra sempre, precisa durar por agora. Porque amores não precisam necessariamente ser levados adiantes. Engano nosso achar que todas as pessoas que passam pela nossa vida merecem dividir o mundo com a gente no futuro. Às vezes a gente precisa se dar conta de que viver uma vida sem mensagens melosas de bom dia e boa noite também é uma maneira de ser feliz.

Hoje eu me sinto bem comigo mesmo. Sou feliz pra cacete vivendo sozinho. E isso não quer dizer que eu rejeito amores pra não sair da inércia. Pelo contrário, eu até espero por isso. Mas é exatamente isso o que eu faço, eu espero o estalo da ficha caindo e me mostrando que pronto, me apaixonei – não corro atrás de uma história pra rabiscar nas paredes do quarto. Porque o amor ainda é o centro das atenções da minha vida, eu fico mexido pra caramba quando encontro alguém que passou pela minha vida e dividiu aquele mesmo brownie com sorvete uma vez ou outra. E isso não me faz mais feliz ou mais triste que os outros. Me faz um alguém normal, que sabe que, por mais que a gente sempre precise de alguém pra dividir a coisa toda, o abrigo de verdade vive dentro da gente. E todo mundo tem esse direito ou deveria experimentar esse sentimento uma vez na vida: ser feliz sozinho.

Faz a gente mergulhar na gente; faz a gente se apaixonar por nós mesmos. É libertador pra cacete.

julio

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3 comentários em “Pelo direito de se sentir feliz sozinho

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