Status civil: livre

– Garota você é esquisita!

– Como assim você ainda está solteira?

Desculpe, mas a sua realidade é diferente da minha e o que para você é algo estranhíssimo pra mim é um mero arbítrio. Sabe aquele de decidir como vou viver? Aquele lá, onde ajo de acordo com o que eu posso chamar de “minha vida”.

Não, eu não vou seguir um roteiro. Não sou dessas garotas que sonharam com a festa dos 15 anos. A minha foi feita por livre pressão psicológica de meus pais.

– Mas filha todo mundo na sua idade sonha em ter. – Mãe, Keep Calm e decida! Você vive dizendo por aí que eu não sou todo mundo. Enfim… Se era para felicidade geral da nação, então eu permiti que me dessem uma festa com toda a pompa que a idade demandava. Mas o DJ fui eu quem escolhi, dispensei o príncipe encantado e tive o meu pai me esperando no cais, onde ele segurava a minha mão com todo orgulho e eu tentava não me estabanar na água enquanto eu descia do barco, porque, sim, eu troquei o salão, o vestido rodado, a coroa de princesa e a valsa por um luau com meus melhores amigos e um círculo de flores em meu cabelo. Se aos 15 anos eu já sabia o que eu queria para minha vida, quem são vocês que se acham no direito de virem me dizer que hoje eu não sei de coisa alguma? Eu sei o suficiente para entender que amor não é submissão, que o prazer de se estar junto deve ser maior do que a necessidade da companhia. Sei também que o bom da vida é fazer amigos e não abrir mão da maioria deles em nome de uma pessoa. Existe aquele “tipo”, que se conhecem em uma noite, ficam durante alguns dias, vivem contando os meses esperando um namoro minimamente forçado. E quando completam 5 anos entre namoro, noivado e descasamento, descobrem que nem tiveram um tesão daqueles de querer quebrar o quarto ao meio na porra da lua de mel.

Loucura é essa urgência de precisar de alguém só por ter medo da própria companhia. Eu sou aquela que se joga, que se rende a uma paixão, aquela do tipo libertina, que usa e abusa da minha alma e dos meus sentidos mais vitais. E no outro dia? Que me deixem hematomas, cheiro na roupa e um gosto de quero mais. E eu ainda ouço pessoas cantando o mantra, “acho melhor ter um pouco de cautela”. Não digo que ter cautela não é bom, mas para mim é loucura não viver o momento porque o coração recomenda filme de romance barato e meias quente em dias frios. Eu gosto mesmo é de perder a linha, a cabeça e o rumo de casa e mesmo assim sabendo onde está meu coração.

– Você é louca! Se arrisca demais. – Desculpe, mas o perigo está exatamente em não ceder. Tudo que priva uma hora explode e provoca o caos. Da vida quero paixões desenfreadas, tranquilidade na alma e no final do dia só quero a paz de um sorriso sem motivo. Amor é o que eu sinto pela minha família, pelo meu cachorro e por aqueles que posso chamar de amigos. Mas é uma responsabilidade muito grande requererem de mim que eu venha amar uma outra pessoa e fazer dela o motivo de minha felicidade. Sou feliz comendo Doritos e de sobremesa um pudim de chocolate. Chego ao êxtase por poder sentar no escurinho do cinema comendo um big balde de pipoca e assistir à estreia de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”. Me considero capacitada para dirigir, beber, e trazer meu imposto de renda em dias, então, por que diabos eu devo me desesperar por não ter o noivo para o enxoval que minha tia avó já tem preparado pra mim antes mesmo do meu nascimento? Ou pensar nos detalhes de um vestido de casamento o qual terá a opinião infundada da minha futura sogra? Aquela, que ainda nem me apresentaram, mas que espera que eu fale baixo, cruze as pernas ao sentar e seja intolerante ao álcool. Desculpe não ser a cópia fiel das princesas da Disney World, desculpe por sempre perder a noção de que já é meia noite, e não me importar de minha carruagem se transformar em abóbora ou de trocar o príncipe com seu pomposo cavalo branco por um táxi que me levará há um desses barzinhos da madrugada, onde amanhecerei tomando um conhaque sozinha e lendo um livro de ficção cientifica.

 

Não, eu não preciso de uma pessoa ao meu lado para saber quais são os prazeres da vida, e tampouco me sentir completa. Desejo ter esse alguém que traga algo novo para os meus dias que já são coloridos, que ele não torre meu saco e nem venha me moldar. Ficar solteiro requer coragem. Coragem de se enfrentar todos os dias em frente ao espelho e continuar se sentindo um máximo, tendo a plena certeza que o cara que merece seus carinhos e suas poesias. Ele deve ter no mínimo mais do que 5 minutos de conversa e uma boa aparência. Desculpe-me seu moço, mas eu nasci para superar as minhas próprias expectativas, se ainda queres tentar uma chance comigo, me proves que sua companhia vale a pena, e não falo do sexo, de prazeres banais o mundo já está cheio. Apenas lhe desafio. Não a me conquistar, mas sim a me manter interessada. E isso aí, meu jovem, já são outros quinhentos.

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4 comentários em “Status civil: livre

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