Alma passarinho

Nunca entendi essa do tempo passar e levar com ele tudo aquilo que nos é importante. Sim, eu sei que ele também traz momentos inesquecíveis e pessoas incríveis, o que eu não entendo é porque logo leva todas essas coisas embora sem nos pedir permissão. E, mesmo sabendo disso, eu não aprendo nunca… Vivo acreditando que tudo dura pra sempre e esquecendo que tudo passa. Problemas passam, momentos passam, pessoas passam… E quando passa olhamos pra trás e percebemos o quanto a vida é breve, o mundo pequeno e o tempo apressado demais. Percebemos o quanto tudo muda e como nossas escolhas refletem em outras tantas escolhas. Aquilo que parecia estar aqui ontem, já não está há muito, muito tempo. Quantas coisas que julgava importante, quantas coisas me tiravam o sono, outras tantas me davam enorme felicidade e, por não perceber a efemeridade da vida, ou por descuido talvez, deixei passar. As vezes por esquecer que tudo passa e lá na frente a gente sente saudade. O “lá na frente” chegou e a saudade vive aqui. E tem sido assim sempre. Todas as vezes que penso e percebo quanto o tempo passa, sinto algo aqui dentro e não sei o que é, não sei dar nome ao que sinto. Aliás, nunca fui boa em nomear e separar sentimentos. Não sei se é nostalgia, medo, tristeza quem sabe, uma certa gratidão ou só saudade mesmo. As vezes, tudo isso junto, vai saber… São os mistérios da vida, os desafios do tempo. Coisas que estavam aqui há pouco tempo não estão mais, pessoas que eram tão presentes foram embora, lugares antes tão familiares hoje tão estranhos, momentos tão frequentes antes e hoje tão raros, sonhos e expectativas vividas que hoje não condizem com a realidade, futuros planejados que fugiram ao script. Todas essas coisas que me são importantes parecem estar bem próximas, mas basta eu tentar alcançá-las pra perceber que não mais existem a não ser aqui dentro de mim. E são tantas coisas, tantos lugares, tantas pessoas que as vezes me pergunto onde cabe tanta coisa. Outras vezes penso que não são elas que cabem em mim, sou eu quem caibo dentro delas. Penso que minha alma dança livre, viajando a lugares onde fui feliz e visitando as pessoas que um dia amei. É, acho que é isso. Nossa alma sabe… Ela sempre sabe. Basta escurecer aqui dentro que ela voa longe feito passarinho, lá onde o tempo não existe, e volta colorindo tudo com uma aquarela chamada saudade. E a gente sorri grande. E entende que só a nossa alma e somente ela, é capaz de enganar o tempo.

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