“Quem precisa de agitos sequenciais?”, era o que eu pensava. Cheguei a condenar todas as pessoas que gritavam a respeito da paixão pelas esquinas da cidade. Achava irritante meus amigos que ficavam olhando para o celular feito estátuas, com sorrisos bobos e petrificados, quando recebiam notificações específicas. Via aquelas pessoas no metrô, sorrindo para os seus celulares, e pensava “que bando de idiotas”. Eu ria das juras de amor, caçoava dos filmes românticos e não lia livros que contivessem as palavras “amor” e “paixão” (e, claro, todos as suas palavras derivadas) nem por decreto. Bem, a pessoa idiota, esse tempo todo, era eu. Eu pensava que era feliz indo às festas e sendo o centro das atenções de todas as rodas, passando o meu número para duas ou três pessoas por noite. Eu pensava que era feliz com todas aquelas pessoas me elogiando nas fotos das redes sociais. Eu gritava, nas festas sertanejas, que eu queria continuar na solteirice pra sempre. E, ah… Eu adorava o fato de não me importar com a opinião de ninguém! Então você apareceu. E eu preciso assumir a maior das verdades: eu que sempre fui pedra de gelo, que jurava que essa história de “paixonite aguda” jamais me pegaria, que assegurava a todos que o amor não era pra mim. Vi todos os meus argumentos irem por água abaixo naquele fim de tarde. Nunca agradeci tanto por ter resolvido levar o meu cachorro pra passear! Eu finalmente entendi que, o que faltava para eu realmente ser feliz, eram os seus olhos castanhos, que ficam cor-de-mel-claro sob a luz do sol. Sabe, hoje pouco me importa se vai chover e estragar o meu sábado a noite, contanto que eu tenha você comigo pra fazer um desses programas que eu jurei que nunca faria com ninguém. E contanto, também, que você goste do perfume que eu passei só pra te agradar… Porque se há uma opinião com a qual eu me importo, é a sua. Agora eu entendo cada pessoa que eu ridicularizei. Porque se há algo que muda o meu dia, é o seu nome nas minhas notificações no meio da tarde. Pouco me importa quem comentou e ainda vai comentar nas minhas fotos… Se eu receber uma notificação com o seu nome, eu vou ficar feliz. Não faz diferença alguma se qualquer um dos números antigos, aqueles das festas, ou qualquer outro “rosto bonito da vida” me ligar… Mas se a ligação for sua, o meu peito todo vibra com as batidas do meu coração ao ouvir a sua voz. Eu odeio que as notificações do celular me acordem de madrugada, mas se eu acordar por causa de uma notificação com o seu nome, eu vou, inclusive, me forçar a acordar, só para saber do que se trata. O que eu estou tentando te dizer, de forma muito atrapalhada e afobada, é: Não há gratidão maior nessa vida do que a minha, pela sua existência, e pela sua chegada, que virou o meu mundo virar para o lado certo e preencheu o vazio da minha vida. Das tantas notificações que eu recebo ao longo das vinte e quatro horas, você é a melhor. Você é a minha notificação favorita.

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. Notificações nos celulares, hoje, nos fazem entender o que os poetas escreviam nos papéis antes 🙂

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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Débora Cervelatti

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