A vida prega peças

Quem nunca passou pela situação de encontrar uma pessoa depois de estarem brigados há um tempo e mais, sem se ver há meses, não sabe como é, ao mesmo tempo, sentir frio na barriga e coragem.
É, e comigo foi assim.
Cinco meses depois do último encontro. Uma semana depois da briga que os dois juravam que seria a definitiva, lá estava a sensação de que algo iria acontecer, o que exatamente, nunca se consegue saber.
E São Paulo é uma cidade que prega peças. Naquele dia chuvoso eu sabia, embora negasse, que o destino tinha uma carta na manga.
Entrei no metrô e nossos olhares se cruzaram imediatamente. Sem graça, ela abaixou a cabeça e, a conhecendo como conheço, posso afirmar que não ergueria para olhar de novo, por nada no mundo.

E eu, que até então também estava decidido a não falar mais com a pessoa, a encarei por mais alguns minutos e manteria o orgulho: não falaria sequer um simples “oi”.

Mas às vezes bate a sensação de que é melhor não sucumbir ao orgulho. De que é melhor não bancar o durão e se arrepender no dia seguinte.
Pensei durante os minutos que a olhava de cabeça baixa e chamei-a pelo nome. Quando ela olhou, pedi para que viesse para perto e surpreendentemente, ela atendeu.
Conversamos e eu dizia, a mim mesmo enquanto a olhava: “graças a Deus que te encontrei hoje”. A verdade é que esses meses de distância só fizeram a saudade crescer e a última briga trouxe, depois de muita teimosia, o sentimento bom de rever e falar com quem você tanto gosta.
A verdade é que sobre nós dois, ninguém nunca vai saber sobre tudo. Nunca, nunquinha.
Nós dois passamos juntos por tantas coisas, boas, ruins, péssimas e também maravilhosas. Nós conhecemos um ao outro como poucos se conhecem e capaz que depois de tudo fôssemos fazer o papel de dois desconhecidos. Dois estranhos.
É, talvez se eu não tivesse agido, ficaríamos assim, ficaríamos parados. Até certo ponto pensando um no outro, mas sem fazer o que estávamos habituados a fazer: se abraçar e dizer: “estava mesmo com saudade”.
É, a vida prega peças, muitas. E às vezes, para conseguir montar o quebra cabeça, você precisa dessa peça. Essa que a vida pregou no mural do seu destino.
Não ao orgulho, o amor transforma tudo que é ruim em lembrança boa. Transforma encontros desagradáveis em agradáveis conversas de desculpas.
O amor transforma o mundo. Pena que nem todos sabem disso.

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