O mal da carência

Quem nunca teve um momento de carência na vida que atire a primeira pedra. Uns dizem que sabem lidar perfeitamente com isso, alguns nem tanto e outros realmente não sabem. Às vezes me pego analisando o ser humano e suas atitudes perante várias situações, certo dia escolhi analisar as pessoas que confessaram estar carentes, e uma coisa eu posso confirmar um milhão de vezes pra vocês: o mal da carência existe, sim! O ser humano facilmente se deixa levar para suprir carências e talvez seja por isso que andamos sofrendo tanto. Fantasiamos muito as coisas. Tudo! A verdade é que às vezes precisamos de ter alguém que se encaixe em nossos braços, que diga que vai ficar tudo bem – ou melhor, que nos faça acreditar que já está tudo bem -, alguém que nos faça dormir depois de um belo cafuné, que nos elogie o tempo inteiro, que nos dê infinidades de prazeres, um bom sexo; alguém diferente que nos leve aos nossos bares favoritos, que divida com a gente nossa cerveja predileta, alguém que não se incomode com o cheiro do nosso cigarro e, principalmente, alguém que concorde com nossos gostos e vontades. Todo mundo precisa disso, não tem jeito. Mas, meus caros, a carência tem o poder de nos fazer acomodar com as coisas rasas que a vida nos traz. Encontramos tudo isso em uma pessoa, em questões de dias as coisas começam a parecer “tranquilas e favoráveis”, nos jogamos de cabeça. Porém, nos jogamos sem noção da altura e muito menos da profundidade. A pessoa tem tudo o que queremos, mas não é nada do que precisamos – lê-se nada que nos faz ser e estar, de fato -. Não tem o amor verdadeiro, não é a vontade de ficar pra sempre ao lado daquela pessoa, não é o desejo infindo de continuar ali, é tudo muito passageiro e você tapa os olhos para isso, afinal naquele momento aquilo te sacia, e você, por míseros segundos, se sente completo. As carências, aos poucos, são supridas e maquiadas, assim as coisas vão criando um outro rumo, começamos a perceber que não é nada que até então pensávamos que fosse. O corpo alheio não mais nos agrada, o sexo está no automático, a graça vai passando sem força para ser renovada e, quando menos esperamos, acabou. Acabou e trouxe dor. Trouxe dor por termos esquecido que antes daquilo tudo dentro de nós habitava a tal carência, a pressa, as faltas de “limites”. Pressa faz parte da carência exacerbada, afinal como podemos passar tanto tempo sem ter alguém que nos faça sentir vivos? Pressa porque precisamos esquecer o fulaninho ou a fulaninha, porque queremos somente nos entregar sem saber a quem, queremos voltar a nos sentir amados, apaixonados; queremos acordar com a certeza de que o bom dia já estará ali pronto para ser ouvido ou lido por nós e em seguida respondido; queremos esperar os encontros e as noites sabendo que teremos um colo, um abraço ou até um silêncio tomado por sorrisos tímidos e olhares fixos. Às vezes, se já temos isso, é aí que o bicho pega, nos deixamos levar sem nos certificar do que realmente está acontecendo com a gente. Atente-se para não fazer e nem se deixar ser válvula de escape. Esse é o mal da carência.

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