Sempre me disseram que o amor era um sentimento doído e, durante longos anos, acreditei firmemente nisso. Mas o tempo passa, a vida vai ganhando forma e os sentimentos amadurecem…. Assim como nós mesmos. E foi então que pude entender que o amor não dói.
 
A saudade dói, a ausência dói, a indiferença dói, o orgulho dói…. Mas o amor não. É preciso muito cuidado pra não confundir sentimentos. Muito cuidado pra não pensar que ama simplesmente porque sente falta, ou porque sempre lembra e dá saudades. Carência é uma coisa. Amor é outra bem diferente.
 
Saudade não é amor. É só saudade.
Indiferença e orgulho não são amor, mas a falta dele.
O amor não dói. O amor é aquilo que fica sempre. Aquilo que fica depois da decepção, depois da raiva, depois do orgulho. É o que fica depois da porta fechada, em que você bate insistentemente mas ninguém abre, mesmo estando do outro lado.
É o que fica mesmo depois da ausência, mesmo depois do silêncio. Amor é quando você finge que esqueceu, mas sabe que no fundo está tudo ali, na mesma intensidade e do mesmo tamanho.
 
Amor é renúncia. É saber a hora de parar. Amor é saber dizer não, mesmo depois de tantos ‘sim’.
Amor é abrir mão pro outro ser feliz.
Amor é mãos dadas, é o abraço de reencontro, é o abrir de portas depois da saudade. Amor é beijo na testa, é cumplicidade, é dedicação.
 
Vejo amor em tanta coisa. Vejo amor em cada amigo meu.
Vejo amor quando eles não querem fazer algo, mas o fazem porque eu ficaria feliz. Vejo amor quando minha vó relembra meu avô com saudade, quando fala do companheirismo vivido e das dificuldades superadas.
Vejo amor quando minha mãe discorda de mim, mas respeita minha opinião e me apoia mesmo assim.
Vejo amor quando duas pessoas ficam juntas apesar de TUDO.
Vejo amor em cada pedido de desculpas. Vejo amor em cada desculpa aceita.
Vejo amor em cada criança que cruzo na rua.
Vejo amor em cada renúncia. Vejo amor em cada vez que deixamos pra lá pra não magoar alguém.
Vejo amor em cada silencio pra não ferir alguém importante. Vejo amor em cada esforço pra não deixar alguém ir embora.
E, vendo tudo isso, não dá pra aceitar que o amor doa.
 
O amor não dói. Ele não dói nunca.
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Participe da conversa! 2 comentários

  1. Foi, e como doi

    Curtido por 1 pessoa

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  2. Que lindo!

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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Mariana Caramori

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