Imigrado

Antes, era minha terra, meu refúgio, minha casa. Aquecido, confortável, acalentador.

De repente, sob as vestes de um ditador, você me expulsou. Totalitária, repressiva, absoluta.

Juntei meus trapos e deixei seu coração, sem rumo. Me tornei um refugiado do seu amor. Em vez de jardins floridos, uma secura árida, triste, morta.

Ao redor, todos me olhavam, com pena. Enquanto eu montava meu acampamento, as pessoas lamentavam, comiseradas. Mas, quando pedia abrigo no carinho alheio, viravam a cara. Sentem pena, mas não me levam para casa.

As bombas de sua indiferença eram perigosas e, vez ou outra, seus estilhaços atingiam minhas emoções. Pisei fundo, desapercebido, na mina terrestre escondida nos escombros de sua avareza.

Vaguei e sigo vagando sem rumo, à espera de um novo horizonte. As fotos de meu desespero correm o mundo, a opinião pública se choca e chora minha dor. Entidades governamentais se reúnem em conferências para discutir o futuro do meu coração.

Fui expulso e fugi. Não encontro um novo lar, tampouco posso voltar. Enquanto isso, sigo amando, cada vez mais, ocupando mais espaço na dimensão dos sofrimentos. O mundo me olha, o mundo sente pena, o mundo sente medo. A combinação das águas salgadas com minhas lágrimas pode ser fatal.

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