Adeus, menina

Oi. Surpresa ao me ver? Sei que deve achar estranho eu reaparecer agora, aqui na sua frente, sem avisar. Mas preciso tirar esse peso de mim e te livrar dessas amarras que não te deixam seguir em frente.
É, eu sempre fiquei calado enquanto você se descabelava e não parava de me procurar, com seus discursos intermináveis. Eu fugia, confesso. Quantas vezes te deixei falando sozinha mesmo?! E você sempre voltava. Mas agora preciso falar, mesmo que doa. Está preparada?
Eu não te amo.
Na verdade, acho que nunca te amei. Você apareceu em um momento em que eu estava apagado, desanimado e trouxe luz. Sim, é verdade. Mas não era amor que eu sentia. Eu gostava de você, gostava da sua companhia, do seu beijo, dos carinhos. Mas não era amor, era carência. Você me ofereceu com tanta vontade, o que eu não tinha… não pude recusar.
A gente se divertiu bastante, quebrou algumas regras, arriscamos nossas cabeças, nos entregamos. Mas não era amor, era fetiche. Quem não se excita ao viver assim? Fizemos planos, falamos de futuro, de encontro de almas. Mas não era amor. Era da boca pra fora, no calor do momento. Eu sempre soube que não ia vingar. E você sonhou demais, pra variar. Que segurança você tinha pra mim? Você não sabe o que quer, nem pra onde vai. Eu já estou nessa vida há tempos.
Calma. Não me odeie por te dizer tudo isso. Eu não disse antes, porque era cômodo tê­-la por perto, confesso. Sempre esperando por mim e se derretendo quando eu dizia que estava com saudades ou que você era única. Mas não era amor. Era ego. E todos esses joguinhos no momento certo, te fisgavam e te faziam ficar.
Sei que errei. Vi você cada vez mais envolvida, apaixonada e completamente vulnerável. Te vi desmoronar com o fim, vi a luz que trouxe, se apagar. Achei até que estava louca. E ainda sim mantive suas esperanças, porque isso me fazia sentir mais forte. Mais poderoso. Desejado.
Desculpa levar tanto tempo para finalmente te dizer tudo que já deveria ter dito. Desculpa por todas essas lágrimas. Desculpa pelo sofrimento. Essa dor eu realmente não queria ter levado a você, mas foi consequência do seu amor doentio. E da ausência do meu retorno.
Espero que agora consiga enxergar que não temos futuro. Era qualquer coisa, mas não era amor. Essa é a verdade que você tanto quis ouvir e eu evitei dizer.
Depois de tudo isso, talvez não acredite, mas você é linda e me inspirou. Siga sua vida. Foi isso que fiz e muita coisa mudou por aqui, sabe?! Faça o mesmo.
Adeus, menina. Agora posso voltar ao silêncio.
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