Os dias em que eu quero sumir

Não é sempre que acontece. É justo até dizer que é um sentimento que raramente me atinge. Quer dizer, raramente atingia – de uns tempos pra cá tem se tornado habitual essa angustia que me consome por dentro – e quando vem, vem pra me derrubar. É tipo essas gripes repentinas e agressivas que nos fazem trocar um planejado dia por um dia todo na cama. E aí eu simplesmente não consigo fazer nada: levantar ou pensar são ações que ficam impossíveis de serem executadas; me resta somente sentir uma tristeza fria e profunda. Sobra pra mim a chance de me jogar numa penumbra de preces por sorrisos que não valem pra quem é ateu de boas vibrações.

Não que eu tenha motivos pra reclamar da minha vida mas têm dias que eu quero sumir; fechar os olhos e aparecer em lugar diferente, com outras pessoas, pensamentos e situações. Onde eu possa dizer o que ninguém diz e todo mundo sente sem medo de ser julgado. Um local onde eu tenha a habilidade de voltar no tempo e mudar tudo o que me machuca ainda hoje. Deitado no meu quarto procuro algum oculto portal que vai me levar pra bem longe dessa inquietude mental que vai me consumindo e me fazendo sempre querer mais do que posso ter. Será que eu sou a única pessoa no universo que se sente assim? Bem, é a impressão que tenho. Essa droga de impressão arrogante impregnada nas minhas entranhas.

Maldição! Eu não consigo me contentar com nada. Vou me isolando de amigos e familiares por achar que ninguém é bom o suficiente pra mim. Sigo desperdiçando tempo procurando consolo em ilusões baratas e supérfluas. Mantenho-me distante do caminho que tracei e dos objetivos que almejei. É um conjunto sucessivo de erros que identifiquei porém não tive a capacidade de alterar. Quantos devaneios perdidos ausentes de razão!

Quando tudo isso acontece e vem misturado é um maluco e descontrolado turbilhão de sentimentos. Simplesmente não consigo sentir uma coisa de cada vez; ou sinto nada e entro num vazio profundo ou sinto tudo e entro em ebulição por dentro com tanta coisa mal explicada. Quando a vontade de ir me estrangula e a de voltar me passa uma rasteira, quando vou abrindo mão do meu poder sobre a vida e perdendo o controle sobre as coisas, quando vejo que não sou dono de ninguém, sequer do meu próprio amor, me resta ir pro quarto, apagar as luzes e fechar os olhos.

São esses os dias em que eu quero sumir.

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4 comentários em “Os dias em que eu quero sumir

  1. Nossa…fiquei impressionada com esse texto. Ele descreve quase que exatamente meus últimos meses, ou seria anos, não me lembro quando foi a primeira vez que me peguei assim. Tristeza sem motivo aparente é a piorde ser curar!

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  2. Não você não está sozinho! Eu tbm nunca estou satisfeita com as pessoas, com o rumo da minha vida,com o quarto que habito , etc….e sempre tô querendo sumir pois não há saída para a minha insatisfação,pois se mudar minha própria mente é um lugar obscuro que não aceita de bom grado a mudança , imagina as outras pessoas a qual eu não tenho domínio.

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