Quando a porta se fecha

Era cedo de manhã e ouvi a porta se fechando, olhei para o lado, procurei você na cama e, quando vi, você já não estava mais aqui. O despertador já havia tocado, o sol já havia raiado e, quando me dei por conta que havia acordado, o chuveiro estava ligado. Você estava no seu banho e tudo estava prestes a acontecer mais uma vez. Ficaríamos distantes por mais alguns dias para me machucar por dentro, como aquela comida cheia de acidez.

Você me acariciava, me dava carinho e até deixava de lado suas coisas para valorizar um pouco do tempo que nos sobrava para ficarmos juntos. Mas o dever ainda nos chama, não é? Ver você desembarcando para o trabalho e fechando a porta mais uma vez, , sem poder te segurar para ficar comigo parecia plena estupidez. Mas eu não sabia mais o que fazer, não dessa vez.

Só quero te pedir pra me livrar desse medo. Eu me sinto uma criança indefesa quando a porta se fecha e eu fico aqui, trancado para dentro. Mulher, deixa ela aberta pelo menos um pouco, para que eu possa observar o quão belo é o seu caminhar, mesmo com a tristeza de ver você indo embora, fico aqui, rezando para que você volte logo e “futuro” se transforme em “agora”.

Vai, tá? Mas pelo amor de Deus, vê se volta. É que quando você precisa ir desse jeito, sem tempo nem de ficarmos para o café, você meche com a minha fé, a vida fica meio fora de ordem, ficam meio torta. Vai, amor, busca teu futuro. Mas não me deixa trancado aqui dentro, não feche a porta.

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