Dei-me por conta de qual ponto da minha vida estava só quando eu me encontrava preso em celas construídas através dos meus sonhos. Em matéria de fantasiar, querer mais e ter sede por conquista, sou íntimo conhecido há muito tempo. Só que por esse tipo de coisa o preço que se paga é alto demais. Sonhos grandiosos que têm seu caminho através de pessoas, condições e situações, fazem a gente se vender de uma forma ou outra. Compartilhar pedaços importantes das conquistas em troca de ajuda. Trocar, então, a liberdade de ser proprietário do sonho pela prisão de ser apenas parte da engrenagem. Uma peça fundamental, ainda que coadjuvante, sem oportunidade de pular fora da máquina sem despedaçar as outras partes; um soldado de granada na mão e correntes nós pés. Maluco pela explosão e o recomeço que ela pode prover, porém com o receio de perder todos os outros do pelotão para sempre.

Olho ao meu redor e noto as coisas que estão por um fio, prestes a não funcionarem. Carrego meu mundo nas costas por ter esse notável defeito chamado: sensibilidade. Por ver antes, eu sofro antes. Porque nem sempre consigo resolver. Porque algumas escolhas que eu fiz hoje parece que são irreversíveis. No fundo não são, no fundo nunca é tarde para  recomeçar. Mas e quando esse recomeço pode custar vidas inteiras, corações entregues e traumas irrecuperáveis? Resta se conformar com a pena perpétua sob as grades dessas malditas prisões onde apriosionamos a nós mesmos.

A palavra não dita fica assim, por dizer. E se a coragem for maior, adianta do que falar sobre atos não consumados? Eu já pedi muitas desculpas à ela por ter ignorado sua admiração, já me arrependi o dobro de vezes por isso e disse que não escrevo indiretas: “Quando for pra ti eu aviso”. Mentira. Agora eu não avisei nada, você deve estar sorrindo por ser uma das poucas pessoas que entende essa minha ironia. Se é que minhas palavras chegam aos teus olhos… Será que o que digo aqui ainda merece a sua atenção?

Eu não sabia que um dia tudo que eu faço vai vir me cobrar. Me descuidei e acabei preso em meio a um laço, pra não me soltar. Como sempre: descuidado. Sonhador inconsequente, fantasista estabanado. Quero enfrentar os próprios monstros que criei e não consigo. Eu preciso, mas não posso. No momento me resta apenas a covarde opção da fuga. Fugir para longe. Lá de onde eu, sozinho, posso tomar as decisões e fazer meus comunicados explosivos sem medo dos estilhaços me atingirem. Talvez, até porque, tudo que eu sempre quis é simples demais para os outros entenderem. Só pretendo, por ora, dar as costas ao que se apresenta à mim neste momento indolente e ir buscar meus anseios de liberdade em outro lado do mundo. Pra na volta dizer que tudo que eu sempre quis é ser dono do meu futuro.

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Participe da conversa! 5 comentários

  1. Quero saber do autor se os textos são inspirações ou sentimentos verdadeiros?

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  2. Maravilhoso como sempre!

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  3. “Carrego meu mundo nas costas por ter esse notável defeito chamado: sensibilidade. ”
    Me identifico…

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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