Sobre a agonia de não poder responder rápido

Responder no instante em que recebe uma mensagem é sinal de desespero no mundo atual. Se o cara que, finalmente, veio falar com você obtiver a resposta no minuto seguinte, pronto, você virou a maluca obcecada por ele. Gostaria muito de saber quem inventou essa “regra” à qual todos obedecemos cegamente. E não, nem tente negar que você obedece essa regra. Pelo menos nas primeiras conversas todos fazemos isso.

E seguindo essa “ditadura virtual” iniciamos um ciclo de tortura, pois não podemos responder logo, para não parecermos desesperadas, e o cara fica lá, do outro lado, na incerteza de que fez a coisa certa em finalmente mandar um singelo “Oi” para a menina que ele tanto quer. E isso se prolonga por um bom tempo. Meses, eu diria. Até que, finalmente, criamos uma intimidade com a pessoa que está teclando do outro lado e podemos nos desprender dessa regra maluca e conversar livremente. Observando isso, começo a achar que a época das cartas românicas era mais simples do que a era digital. O tempo de espera era maior, é verdade, mas pelo menos não existiam regras.

A carta podia ser respondida logo após as lágrimas de saudade molharem o papel ao término de sua leitura. Percorrendo uma verdadeira jornada para chegar ao destino. Mas ela sempre chegava. E com a resposta mais sincera. Não as respostas que damos hoje, apos consultar a opinião de todas as amigas. E assim que a carta chegasse, ela obteria uma nova resposta imediata e sincera. Poupando a pessoa apaixonada da agonia de não poder responder rápido.