E os namoradinhos?

Sabe tia, tá difícil. Não sei se a culpa é da minha exigência extrema ou se é a “safra” que está ruim. Mas, tia, a coisa anda complicada. Pelo menos para mim, que ainda vejo o namoro como uma coisa séria e que só deve ser começada se houver a intenção de que dure, pelo menos, um bom tempo.

Não quero esses namoros em que uma semana depois de se conhecerem, já estão chamando um ao outro de meu amor. Que amor é esse? Em uma semana não dá nem tempo de conhecer uma pessoa direito, quanto menos saber se ela é o amor da sua vida. O amor está banalizado, sabe tia. Mas eu ainda acredito nele. Ah, acredito sim. Não posso perder a fé nele, tia. Mesmo com tudo o que estão fazendo com ele, e em nome dele, eu sei que o verdadeiro amor ainda vive. Talvez em menor escala, claro. Mas ele ainda está lá. Presente naqueles pequenos detalhes que, às vezes, só quem está dentro da relação consegue perceber.

O amor real ainda existe, tia, eu tenho certeza disso. Mas voltando a “safra” ruim, tia. A senhora vive me dizendo que está cheio de homens bonitos por aí, e que eu, uma guria bonita não deveria ficar sozinha. O problema, tia, é que diferente da maioria desses homens bonitos que a senhora vê, eu tenho conteúdo e objetivos maiores do que o treino na academia.

Eu quero conhecer o mundo, tia. Quero ser reconhecida pelo meu trabalho. E para isso eu tenho que ralar muito. Não tenho tempo, nem paciência, para ter um namorado sem objetivos, que não vai entender que eu preciso me esforçar e dedicar grande parte do meu tempo para que esses objetivos possam ser alcançados. Porque sabe, tia, os homens andam mais carentes e cheios de frescura do que as mulheres. Se a gente não responde em 2 minutos, eles piram e já fazem o maior drama. Se a gente precisa passar um tempo fora para fazer algum curso ou alguma coisa do trabalho, já temos que enfrentar uma cara feia, seguida de um “Você não se importa comigo, só pensa na sua carreira”.

Então, tia, enquanto eu não encontrar um cara que esteja na mesma vibe que eu, correndo atrás dos objetivos e pretendendo ser, ou já sendo, alguém na vida. Um cara que tenha o passaporte em dia, e sempre em mãos, para poder viajar o mundo comigo. Ou só para ir até a praia mais próxima passar o final de semana. Enquanto eu não encontrar um cara que faça jus à palavra parceiro, e que apóie os meus objetivos e não os veja como um concorrente, ou um obstáculo no relacionamento. Enquanto eu não encontrar um cara que vá comigo ao estádio, e segure a minha mão naquele momento decisivo, depois me dê o melhor beijo de comemoração, ao invés de achar que mulher não pode ir para o estádio e as que vão são vagabundas ou sapatonas.

Enquanto isso não acontecer, tia, minha resposta para a sua pergunta vai seguir sendo a mesma. Porque sabe, tia, tá difícil.