O olhar que você me negou

Leia ao som de Não Me Olhe Assim – Capital Inicial

Olha, eu sei que é difícil para todo mundo. Ter que superar e passar por essas coisas que ninguém quer, mas todos passam. Coração partido, decepções, histórias que não foram como a gente imaginou que poderiam ter sido.

Mas tenho uma teoria de que quando algo é superado, você para de temer aquilo. Se você ainda tem medo, se você não tem coragem de encarar de frente alguma coisa é simplesmente porque não superou aquilo.

Eu tenho sentimentos ambíguos sobre a nossa história. Pois ao mesmo tempo que sei que o mais correto, maduro e humano para se fazer – já que seguimos caminhos distintos – é cada um ir para o seu lado, sem ficar remoendo nada, quero também que nossa história fique viva de alguma maneira.

Durante muito tempo me entristeceu ver que você seguiu em frente muito bem. Tocou a sua vida, manteve as amizades que eu falhei em manter, conservou os traços da sua história comigo que eu não pude. Porém no fundo, algo sempre me disse que talvez você ainda me amasse.

“Eu faço tudo por ti”. Jamais vou me esquecer de quando me disse esta frase.

E “eu te amo”. Quem sabe disso você nunca lembre, pois eu não cheguei a nem dizer. Mas sim, é verdade.

Superou? Bom, parecia que você havia mesmo superado. Eis que a vida nos reserva um novo encontro. Então nós, frente a frente. E você? Me nega um olhar. Caramba, um olhar!

Entenda, eu não esperava um olhar maldoso ou um olhar de desejo. Sequer um olhar de quem quer mudar algo. Não. Mas esperava um olhar de quem superou, deixou tudo isso em uma outra vida. Um olhar “pra ser sincero, prazer em vê-lo, até mais”.

Este olhar você me negou. Teria sido tão mais simples se você tivesse simplesmente me olhado…

Mas por que – eu me pergunto – você me negou este olhar?

Será que a indiferença é tão grande criada pela mágoa? Será que eu já sou um ponto tão insignificante da sua história que para você tanto fez, tanto faz, como se eu fosse um desconhecido?

Ou será que te faltou coragem? Para dizer a mim com teus olhos que eu já sou página virada.

Você tem medo? Pois, se você tem medo, saiba que eu também tenho.

Contudo, eu tentei te olhar. Mesmo morrendo de pavor de não conseguir sustentar a mentira de que já superei. Mas te olho mesmo assim, pois mesmo sem ter superado, no fundo, ainda sinto muito. E queria, de verdade, que você ainda sentisse alguma coisa.

Mas isso ficou escondido no olhar que você me negou.

 

Paulinho Rahs

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O passado nunca tem nada novo a dizer. Siga sempre sorrindo

Eu quis as tuas ligações após nossas discussões por pequenas coisas. Eu quis os teus abraços logo após rápidas despedidas na porta do meu terraço. Eu quis muito os teus carinhos após palavras que nunca deveriam ter saído de tua boca, mas eu te perdoei mesmo assim. Eu quis tanto os teus beijos após todo este turbilhão de coisas bagunçando aqui dentro de mim. Eu quis tanto o teu cais quando tudo em mim era caos. E o pior de tudo foi acreditar que você voltaria e me diria que tudo ficaria bem.

O tempo passa e a gente começa a perceber quem realmente valoriza as coisas lindas que carregamos no fundo de nossa alma. Pessoas que realmente entendem o real valor das pequenas coisas. Mas você parecia estar ocupado demais com teus planos enquanto eu sonhava sozinha no escuro da noite. Eu não podia te esperar para sempre. Eu precisava trilhar a estrada com alguém que quisesse traçar o mesmo caminho com meus sapatos, e então assim, poder sentir o verdadeiro valor que fiz – ou farei- para alguém.

Eu deixei uns medos nas gavetas mais altas para facilitar o esquecimento. Vestir a coragem para seguir em frente, e guardei comigo alguns aprendizados nos bolsos em caso de emergências duvidosas. Desenhei sorrisos largos no rosto e os compartilhei com o resto do mundo lá fora. Cresci e amadureci com o tempo e mesmo de um relacionamento mal acabado, eu levei comigo alguns aprendizados.

Eu quis tanto ouvir a tua voz calma de madrugada apenas para expulsar umas dores no meu peito. Mas como diz o próprio verbo – QUIS. – Passado; ou seja, ficou pra trás. Por isso sigo em frente na esperança de encontrar um Porto Seguro para repousar os meus ombros cansados. Sigo sempre sorridente e em frente, meu bem.

Pois afinal de contas, o passado nunca tem nada a dizer.

A parte que sobrou do nosso todo mostra que a gente precisa começar de novo

O que foi que aconteceu com a gente?

 

Eu não quero ser só mais uma estatística. Não quero ser aquela pessoa que percebe que se perdeu só quando não há mais caminho pra voltar.

 

A gente era um todo, hoje somos só uma parte, mas uma parte do todo. Não dá pra simplesmente dizer que as coisas não são mais como eram, parar no meio do caminho e desistir. Se somos parte, é porque um dia já fomos todo. E isso me dá esperanças pra fazer algo bem raro nas relações de hoje: reconstruir.

 

Só que pra essa nova empreitada eu preciso de cooperação. Preciso de algum tipo de garantia de que, se eu me jogar sem ver, você vai estar lá pra me segurar.

 

Pra reconstruir, é preciso confiança. E você já ameaçou quebrar a minha algumas vezes. Não falo isso com mágoas e ressentimentos. É só pra lembrar que, se for pra gente resgatar com fé tudo aquilo que nos trouxe até aqui, eu preciso do teu comprometimento total. Só assim serei capaz de ficar bem e não me sentir idiota por crer que há saída.

 

Eu não sei se você se lembra, mas a gente criou um mundo só nosso. Tinha muita vida lá dentro. Depois de muito tempo no automático, você me fez sentir vivo de novo.

 

É difícil, pra mim, acreditar que isso seja algo que se possa jogar fora. Não acredito que não há marcas no teu coração como há no meu. Se houvessem dúvidas com relação a isso, minha proposta de reação nem seria uma realidade.

 

Mas, agora, chega de papo. Me dá a mão. Vamos provar pra esse mundo que a gente pode voltar pra onde estava. Que o amor se renova quando a gente se empenha por ele. Que as surpresas podem surgir até das maiores trivialidades.

 

Vem comigo!

 

Vamos provar pro mundo que a gente sabe como fazer pra ser feliz. Do nosso jeito.

 

Aquele jeito que parece esquecido, mas que pode ser encontrado dentro de cada sorriso sincero teu.

 

Amei à você e a outros também…

Amei todos! Amei o que me sorriu de primeira. Amei o que me mandou flores com um bilhetinho fofo, que tinha alguma escrita sobre o amor. Amei o que em secreto colocou chocolate na minha porta todos os dias da semana, sem que eu percebesse que assim fazia. Amei o que tentou me amar, mesmo com todo seu jeito bruto de ser. Amei àquele que foi meu amigo, parceiro, companheiro de todas as horas e que sonhou comigo. Amei aquele me deu a mão em tantas festas e dançou comigo prometendo que me levaria ao altar no dia seguinte. A noite de farra e todas as danças já era o nosso matrimônio, mesmo que não percebêssemos.

Ah, eu amei também o beijo doce do moreno de riso fácil. Amei os olhos do loirão faceiro sobre mim. Amei aquele bruto, rústico e sistemático que tentou me laçar em um dia de sol quente. Amei, amei muito.

Ah, como eu amei! Seria injusto eu dizer que nunca amei. Não foi porque passou que o amor não existiu. Todos existiram e foram suficientes para que durassem até onde as minhas lembranças pudessem chegar.

Quando o amanhã vier talvez não estejam tão presentes como hoje, mas eu saberei de qualquer maneira, que amei! Porque ainda que a minha memória falhe, as marcas do tempo sobre mim não me deixaram esquecer, que amei e mais do que isso fui amada.

Dizem que amor é jogo de azar, eu prefiro enxergar de outra maneira: amores são flores colhidas ao longo do tempo. Somos um jardim e mais do que ter as mais lindas flores ou os melhores perfumes, importa-nos ter a capacidade de em todas as estações, saber florescer!

Sexo sem compromisso

O rapazinho, apenas de cueca, se esgueira para fora do quarto da moça. Uma breve caminhada até a cozinha, um copo de água e pronto: já pode voltar.
No caminho, no entanto, dá de cara com o pai da menina. Sentado em uma poltrona e olhando para baixo, pergunta:
– E você, quem é?
– João, prazer.
– Pensando bem, nem sei porque te perguntei seu nome. Provavelmente, nunca mais iremos nos ver.
– A chance é grande, realmente.
– Minha filha só tem feito isso ultimamente. Dorme com sujeitos diferentes quase todo fim de semana. Já nem consigo mais dar bronca, aconselhar… Agora, só me resta suspirar mesmo. Errei muito na criação dessa menina.
João se aproxima e pede licença para sentar ao lado do desolado pai. Meio a contragosto por causa da cueca, o progenitor frustrado permite a movimentação do algoz e os dois começam a conversar.
– O que te faz pensar que errou na criação dela?
– Ora, veja você: ela provavelmente não tem ideia de quem é, o que faz, onde mora… Com sorte, vai lembrar seu nome amanhã.
– (Riso contido) De fato. Eu só sei que ela se chama Julia porque, quando me contou, mencionei que era o mesmo nome da minha irmã.
– E posso saber qual a graça?
– Toda! Sua filha e eu sentimos atração um pelo outro, mais nada. Evidente que poderíamos ter ficado conversando horas, nos conhecendo, trocando ideias, mas, naquele momento, tudo que queríamos era dormir um com o outro. Dois adultos que, livres e solteiros, foram fazer o que tinham vontade.
– Você falando me lembrou daquele velhinho que morreu agora pouco… Como é mesmo o nome dele? … Bauman! Isso! Sabe, essa superficialidade das relações, a efemeridade, a falta de compromisso. Onde estão os alicerces do amor numa sociedade assim?
– De fato, o conceito do Bauman é muito interessante e pertinente em nossos dias. Porém, faço apenas uma ressalva: a superficialidade não é característica própria nossa, muito pelo contrário: tornamos ela mais exposta, mais sincera e mais verdadeira.
– Como assim?
– Te explico: devo ter uns 50 casais de amigos, conhecidos. Namorados apaixonados, que postam fotos comemorando datas de aniversário de relacionamento, viagens de casal, almoços com as famílias reunidas. Até aí, tudo lindo.  Porém, não existe UM desses casais que já não tenha se traído. Eu, que nada tenho a ver com eles, sei disso. Já vi, presenciei, estive junto na hora ou soube. Que tipo de “alicerce” é esse que não resiste a uma mera tentação?
– …
– Quer mais um exemplo? Por que os puteiros e casas de massagem estão sempre lotados? Já viu a quantidade de cara casado que vai lá? Você mesmo deve conhecer bastante gente que frequenta, senão o próprio senh…
– Respeito, rapaz. Não abusa.
– Desculpa. Enfim, estávamos acostumados a “relacionamentos sólidos” que, em sua maioria, eram compostos por traição, mentira, abuso, comodidade por si só… Tudo isso porque estamos envoltos nessa concepção monogâmica fechada, que não permite o diálogo, a contraposição de ideias.
– Hmm…
– Hoje, cada um monta a relação que quer ter de acordo com o seu próprio livre arbítrio. Não dizem que o amor mais importante é amor próprio? Então, hoje as pessoas estão se amando mais. E quando você se ama, torna-se livre, até mesmo para amar outra ou outras pessoas. Se ser superficial é ser honesto com quem se relaciona, prefiro viver na superficialidade das minhas escolhas do que agonizar nesse simulacro de amor romântico idealizado que tanto deixa as pessoas tristes e frustradas.
– Rapaz… Olha, você me fez repensar até certas coisas dentro do meu casamento. Ficaria feliz se pudéssemos nos ver de novo.
– Isso eu não posso garantir. Sendo bem sincero.

Você foi a minha escolha certa

Leia ao som de Speed Of Sound – Coldplay

Por muitas vezes perdi o sono perguntando a mim mesmo se eu sabia qual caminho havia tomado para minha existência.

Eu não sabia.

Viver, para mim, sempre foi uma forma inconsequente de brincar com fogo. Eu nunca fui uma criança disciplinada, nem um adolescente comportado ou um adulto cuidadoso. Eu não planejei a minha vida e deixei as portas abertas para qualquer coisa que viesse pela frente.

Muita coisa veio. Vivi de tudo um pouco, um pouco demais de tudo. Cometer excessos sempre foi a minha especialidade, afinal. E agora, com um pouquinho a mais de maturidade e juízo na cabeça, finalmente me dei por conta do tamanho da minha sorte. Continuar lendo “Você foi a minha escolha certa”

Me guarda num potinho?

Tô te pedindo pra não me esquecer,

Pra me guardar num potinho dentro de você.

 

Me guarda, vai?

Promete que vai proteger tudo o que aconteceu de mais lindo em nós,
Sem nunca esquecer o que nos fez ser um só.

 

Guarda naquele cantinho que só você tem acesso,

Um que ninguém consegue se meter no meio de nós,
Ou tente decifrar o que aconteceu, caso achem que tenha acontecido.

 

Porque eu te tenho aqui,
Dentro do lugar mais lindo do peito,
O cantinho do amor.

 

É o lugar mais remoto e tão pouco habitado,
Que as vezes eu me esqueço que existe.

Acho que foi por isso que você apareceu.

 

Você veio me lembrar o que é amor,
Apareceu pra resgatar o amar,

Para que eu movesse todos os móveis de lugar.

 

Só que quando o encanto se desfez,

A saudade fez morada,

Ela pensou que aqui seria seu novo lar permanente.

 

E sabe o que mais?

Eu não tive coragem de manda-la embora,
Porque mandar a saudade embora, significaria dizer que você não esteve aqui.

 

A real é que você ocupou todos os pedacinhos de mim,

E mesmo de longe,

Tomou pra si a parte de mim que não me pertence mais, de tão tua que é.

 

É egoísmo, eu sei,
Mas promete nunca esquecer
E guardar o maior amor?

 

Cê promete?